domingo, 19 de abril de 2009

GDA - GRAP


É com satisfação que tomei conhecimento da vontade, por parte da actual direcção do GDA, de reactivar a sua equipa de Velas Guardas.
Espero que essa iniciativa seja conseguida, sei que é difícil, têm que se fazer alguns sacrifícios, mas no fim de cada época, os benefícios são largamente superiores aos sacrifícios.

O jogo que se irá realizar (GDA – GRAP), proporcionará com certeza, uma tarde bem passada na companhia de pessoas que já não se vêm á algum tempo, e que servirá basicamente para convívio e diversão dos presentes, não esquecendo o gosto comum pela prática do futebol.
Assistiremos com toda a certeza, a momentos de futebol de categoria, onde alguns ainda conseguem espalhar magia futebolística em pleno relvado, sem nunca esquecer a parte mais importante, a 3ª, onde os atletas podem retemperar as forças à mesa.


Cumpre-me esclarecer que o GRAP, é um clube da Freguesia de Pousos, em Leiria, que actualmente participa na 1ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Leiria, ocupando o 2º lugar na classificação.
A sua equipa de Veteranos, foi constituída à 17 anos, e desde aí, participa todos os anos em cerca de 30 jogos por época.
É uma brincadeira séria.
É uma equipa constituída por jogadores que todos praticaram futebol, ou nas camadas jovens ou nos seniores no GRAP, excepto eu, que como os da minha geração sabem comecei no GDA e Portalegrense.


Devo dizer que a possibilidade de realização deste jogo de futebol, foi aflorada pela primeira vez em 11 de Dezembro de 2008, neste fórum, onde eu próprio alertei, para o facto de o GDA dever prestar homenagem a um atleta do clube que faleceu á uns anos, mas que continua no coração dos que com ele privaram, o Joaquim Maria.
O que ele mais gostava de fazer era de jogar futebol e coleccionar livros de cowboys.


A iniciativa foi ganhando consistência, e o jogo vai realizar-se, apesar de já não ser com o propósito que foi pensado, a referida homenagem.


Com o presente comentário pretendo em nome do GRAP, agradecer ao GDA a realização do jogo, apesar das dificuldades que parece terem sido criadas para sua realização.


O Presidente do GDA, fez contactos no sentido de adiar o jogo, propondo outras datas, uma vez que, não seria boa altura para o evento.
O adiamento não se deu, por falta de disponibilidade do GRAP, pois, apesar de se terem efectuado diligências no sentido de se poder alterar a data do encontro, não foi possível, pois até ao fim de Junho já foram assumidos compromissos com outras equipas.


Na qualidade de capitão de equipa do GRAP, gostaria assim, de agradecer aos responsáveis do GDA, na pessoa do seu Presidente, pela realização do jogo, por ter assumido a palavra que deu, e compreender os argumentos apresentados pelo GRAP, relativamente ao seu não adiamento, pois apesar de não ser boa altura para a sua realização, não faltou á sua palavra.


O acontecimento, é apenas um jogo de futebol, não se pretendendo criar dificuldades ou obstáculos a outras pessoas ou eventos.


Um abraço.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

03 - O que nos resta?


Leve, leve a lembrança que me resta daquele dia em que, por causa de uns homens que andavam aos tiros lá por Lisboa, não tive de ir à escola.
Foi um dia diferente, pelo inesperado dos acontecimentos, e porque, como não podia ficar sozinho em casa nesse dia de lutas, devido à minha tenra idade, tive que acompanhar a minha mãe para o seu trabalho, na fábrica.

Claro que, teria que me manter quieto e sossegado, para não lhe interromper a labuta, ou chamar a atenção reprovadora do “Mestre Gomes”, que, por ser ali dos lados de Nisa, esticava algumas sílabas no inicio e no fim das palavras que pronunciava.

Várias gerações, antes da minha, tinham lutado por aquele dia que finalmente chegara, e com ele, a esperança.

A esperança num País com liberdade, acima de tudo, mas também com justiça, saúde, educação, habitação, igualdade social e modernização.

Expectativas justas e legitimas, num futuro melhor para esses lutadores populares e seus descendentes, enfim, para o País.

Onde param essas esperanças, essas expectativas, esses sonhos?

Onde param as causas?


Onde pára a vontade daqueles que viveram 74?
Desapareceu ou está adormecida?
Foi arrancada ou está perdida?

Os anos continuam a passar, e quase todos, quase todos os dias nos percorre o sentimento de que caminhamos para coisa nenhuma, que a estrada que palmilhamos não é a nossa, que seguimos sem esperança, sem expectativa ou convicção.
E o pior, parece que não nos importamos.

Deixa andar, talvez amanhã ou no outro dia, apareça novo salvador, e, se também ele for crucificado, resta-nos a esperança de que seremos salvos.
Sentimos que a vida que vivemos não deveria ser a nossa.

O esforço que se faz, para não parecer esforçada a tarefa de ter que educar os filhos.
Os pais e avós a viver em casa dos filhos, muitas vezes devido à força dos laços familiares, é certo, mas quantas vezes não é por não haver dinheiro para pagar os lares ou casas de repouso, ou quantas vezes não é para os filhos poderem contar com as raquíticas pensões dos mais idosos.
As prestações acumulam-se.

O desemprego está à espreita, à espera de apanhar o próximo que passe.
As empresas, umas encerram por tudo, outras por nada.

A frustração vai engolindo geração após geração.
A indignação apodera-se de nós, pela oportunidade perdida.

Ai, Ai que me fogem os sonhos, o futuro e a confiança.

O que somos nós neste laboratório português, em que se experimenta, faz e refaz, destrói e conserta há mais de 30 anos?

A consciência colectiva na melhoria é quase nula.

Ao menos temos o “Magalhães”, mas do que nos serve um ignorante com um computador nas mãos?

O que nos resta?
Talvez a esperança de quem acredita em Portugal, de quem acredita que somos nós, diariamente, os responsáveis pela mudança e pelo sacrifício na preparação do nosso futuro.
Exigindo dignidade e responsabilidade no exercício das funções públicas e privadas.

Todos temos responsabilidades na construção do País, mesmo que desalentados e convictos que entre nós há muitos que não querem saber, que não querem acreditar.
Acredita ou resigna-te.

Ai revolução o que te fizeram, o que te fizemos.

O povo unido já estará arrependido?


Mário Bugalhão